sábado, 23 de janeiro de 2010

Conselhos à namorada de um canibal





- Certifique-se de quem será o prato, quando ele te convidar para jantar.

- Diga que seu pai é ortopedista, e notará se você chegar em casa faltando uma perna, por exemplo.

- Evite perfumes que realcem o seu valor nutritivo, como orégano e azeite de oliva.

- Se possível, faça um regime. Isto irá desencorajá-lo pelo argumento de que você não vale o preço do carvão.

- No fim do churrasco entre amigos, conte todos, os seus e os dele.

- Ainda sobre churrascos, não seja paranóica: às vezes uma lingüiça é apenas uma lingüiça.

- Evite símiles anatômicos sugestivos, como batata da perna, maçãs do rosto etc.

- Desconfie se o vinho na geladeira coagular.

- Quando te perguntarem onde está o lóbulo de sua orelha direita, responda com naturalidade: lepra.

- Se você encontrar, no cesto de lixo da cozinha dele, uma ponta de dedo humano cuja unha fora pintada de vermelho, alivie-se pensando que a dona daquela mão devia ser comunista, mesmo.

- Caso ele proponha o pacto de suicídio, não fique preocupada por ser a primeira a beber o cálice de cicuta. Ele é canibal, não necrófilo.

- Evite verbos gastronômicos para se referir ao ato sexual.

- Use enxertos de pele para esconder os chupões do cinema.

- Não se iluda, o vermelho na cueca não é batom.

- Se ele sair espalhando por aí que já te comeu, apareça em público para desmenti-lo. “Viram? Foi só o lóbulo direito.”

- Em caso de traição, pelo menos você poderá dizer “me trocou por um par de pernas” com alguma literalidade.

Se tudo o mais falhar, mantenha a calma. Você só precisa temer o dia em que ele começar mexer a água de sua banheira com uma colher de pau.

Porque, nesse caso, o jeito será terminar.

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