quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cara-de-Pau

Durante o carnaval, a prefeitura mandou botar um carro batido perto do trevo que dava acesso àquela cidade, para alertar os visitantes e motoristas em geral sobre os perigos de dirigir alcoolizado. Seu Dejair, vendo que as calotas do automóvel estavam em ótimo estado, comentou com um amigo que pretendia roubá-las. O outro riu, mas ele falava sério. Certa noite, esperou o movimento diminuir, botou as chaves na mochila e, já alta madrugada, esgueirou-se por trás dos arbustos que margeavam o acostamento, até ficar ao lado do veículo. Mas, para sua surpresa e irritação, as calotas haviam sumido. Achando que o amigo o sacaneara, chegando na frente e levando as peças embora, tirou o celular do bolso e ligou para ele. Enquanto a chamada se completava, Seu Dejair, só para se certificar de que não havia nada aproveitável no interior do carro (que tinha vidros escuros), abriu a porta do motorista com um tranco. Lá dentro, dois policiais à paisana acordaram assustados. Por um momento eles fitaram o homem, que, ainda com o celular na mão, emprestou a maior seriedade possível à voz, ao dizer:

— É como eu suspeitava, tem duas pessoas presas nas ferragens! Mandem a ambulância depressa!